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Pesquisa aponta que 86% das abobrinhas são reclassificadas na CEAGESP

As estudantes Patrícia Silva, Marina Barbeiro e Marina Tonel com o folheto das Normas de Classificação da Abobrinha

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) recebe em 2016 cerca de 47,3 mil toneladas de abobrinhas, majoritariamente das variedades brasileira e italiana, provenientes de 11 estados brasileiros. Desse total, mais de 86% são submetidas a algum tipo de manuseio, seja por reclassificação, reembalagem ou repasse, devido à falta de classificação no campo do produto. “Isso demonstra que a qualidade recebida do produtor não atende às exigências dos clientes dos atacadistas”, afirma a doutora Anita Gutierrez, agrônoma da Companhia e uma das coordenadoras do estudo.

Este e outros dados foram obtidos por meio de uma extensa pesquisa realizada por uma equipe de estagiárias do Centro de Pesquisa, Qualidade e Desenvolvimento da CEAGESP, que por quatro meses entrevistaram cerca de 59% dos atacadistas que comercializam abobrinhas no Entreposto Terminal São Paulo. O resultado desse trabalho, que resultou no folheto Normas de Classificação de Abobrinha, foi apresentado no dia 11/7 no Auditório Nelson Loda.


O levantamento feito pelas estudantes Patrícia Soares da Silva (Nutrição/Uninove), Marina Diogo Prendini Tonel (Nutrição/FMU) e Marina Ribeiro Mathias Duarte BarBeiro (Agronomia/Unesp-Campus Experimental de Registro) constatou ainda que muitas notas fiscais que entram no ETSP estão preenchidas incorretamente, sem trazer dados de valor, variedade, identificação do transporte ou do peso da caixa, o que atrapalha a obtenção de dados mais completos da comercialização das abobrinhas que entram no mercado.

Mesmo assim, pôde-se constatar alguns dados interessantes: a predominância da abobrinha italiana (55,1% das notas fiscais) contra a brasileira (12,5%), a clarita (1,6%) e a alanis (0,2%). Para os atacadistas, a abobrinha italiana ideal deve ter casca brilhosa e lisa, tamanho padronizado, reta e sem defeitos, enquanto a brasileira deve ter casca brilhosa, tamanho menor, reta e sem defeitos. Para os atacadistas, o maior problema a ser evitado é a presença de uma virose, que afeta principalmente a aparência das abobrinhas no campo.

PREFERÊNCIA

Quem compra tem preferências distintas: enquanto supermercado, atacadistas do ETSP e de sacolões preferem comprar abobrinha italiana do tipo 3A (tamanho menor que 20 cm), os feirantes e distribuidoras preferem as do tipo 2A (entre 20 a 23 cm) e 1A (maior que 23 cm). 

Já no caso da abobrinha brasileira, os supermercados compram mais do tipo 3 A (diâmetro menor que 55 mm) e menos do tipo 2A (diâmetro entre 55 a 70 mm), enquanto que os compradores de sacolões, feirantes e distribuidoras preferem mais as do tipo 2A. Os atacadistas do ETSP preferem mais a do tipo 1A (diâmetro maior que 70 mm).

No tocante à distribuição por destino, a capital paulista responde por cerca de 58% do consumo, seguida pelas cidades da Região Metropolitana de São Paulo (29%), do interior paulista (7%), litoral paulista (4%) e outros estados (2%). A pesquisa mostrou ainda que 87% das abobrinhas comercializadas no ETSP são consumidas na Região Metropolitana de São Paulo.

As principais cidades produtores de abobrinha são Piedade (SP), Caldas (MG), Ribeirão Branco (SP), Ibiúna (SP), Porto Feliz (SP), Santa Rita de Caldas (MG), Pedra Bela (MG), Coimbra (MG), Santana de Pirapama (MG) e a paulista São Miguel Arcanjo. Do total enviado para o ETSP, 65% teve como origem o Estado de São Paulo.

As estudantes ainda fizeram estudos de análise sensorial para verificar textura, sabor, aparência e odor da abobrinha pronta para o consumidor, no que foi constatada a preferência pela abobrinha 3A, e um cálculo do índice de aproveitamento do produto, mensurando a diferença entre o peso da abobrinha feita no vapor e na água e o seu peso bruto, em que foi verificado que não houve diferenças significativas depois do produto preparado.

SERVIÇO

As Normas de Classificação da Abobrinha podem ser visto em PDF online AQUI, ou obtidas gratuitamente no Centro de Pesquisa, Qualidade e Desenvolvimento da CEAGESP, telefone 11-3643-3825 / 3643-3827, email cqh@ceagesp.gov.br.